Por Mauro Patrão

Virou quase um senso comum a idéia de que os meios de comunicação de massa se transformara num poder tão ou mais importante que os outros 3 poderes constitucionais: o executivo, o legislativo e o judiciário. Desses três poderes formalmente constituídos, o que mais se assemelha com a mídia de massa é mesmo o Judiciário! E não é só pelo fato dos grandes meios de comunicação de massa terem se transformado em verdadeiros tribunais, acusando, sentenciando e muitas vezes destruindo a vida de inocentes. Neste caso, não há como esquecer o fatídico episódio da escola-base em São Paulo.

Mas a semelhança entre a mídia de massa e o Judiciário fica mais evidente no Brasil quando pensamos que estes são os dois poderes MENOS democráticos da República: em ambos INEXISTEM Eleições Diretas! No Judiciário, a carreira se inicia exclusivamente com o difícil concurso para Juiz ou Juíza. Mas mesmo com essa entrada “meritocrática”, a escolha dos ministro de tribunais superiores, especialmente do Supremo, é completamente indireta. No caso do Supremo, o presidente da República escolhe o nome, que deve ser aprovado pelo Senado. E não é necessário sequer ter sido Juíza ou Juiz nem por um minuto, como o atual presidente do STF. Quem quiser pode conferir a lista e a biografia dos presidentes do STF na Wikipedia (clique aqui).

No caso da grande mídia de massa, a situação é muito mais vexatória. Não há SEQUER escolha indireta! Afinal de contas, os ministros do STF são escolhidos pelo Presidente da República e referendados pelo Senado. E tanto senadores quanto o Presidente são escolhidos pelo voto direto. Não, nos meios de comunicação de massa, reina o império do livre arbítrio dos empresários. São os donos que determinam quem são os editores e qual é a pauta! A única exceção se dá nas empresas públicas e estatais. Nelas existe eleição indireta, pelas escolha dos seus presidentes e dos seus conselhos curadores feita pelos governadores ou pelo Presidente da República.

Na definição do marco regulatório da rede pública de televisão federal, houve quem ficasse decepcionado com o modelo de escolha do conselho curador da TV-Brasil. Houve quem defendesse a maior participação dos movimentos sociais nesta escolha. Mas esta é uma proposta que sempre recebe a seguinte resposta. Quem é mais legítimo para escolher o conselho curador, um grupo de entidades representando movimentos sociais ou o próprio Presidente da República eleito pelo voto direto de todos os brasileiros?

A única proposta convincente de democratização da mídia de massa é a escolha direta dos dirigentes das empresas de comunicação! Só o voto direto supera o argumento de que a mídia é democrática, pois é dirigida pelo IBOPE! Acho que devemos ser radicais.

Que as cientistas e os cientistas políticos sejam CONVOCADOS para formular melhor essa questão.

Se a grande mídia se transformou no 4° Poder de fato, por que não deve ser transformada no 4° Poder de direito? Já pensaram na revolução que seria poder escolher, pelo voto popular, os diretores de Jornalismo da televisão aberta no Brasil?

Comecemos então com as TVs públicas, que seus dirigentes sejam escolhidos diretamente pelo voto popular!

!!!DIRETAS JÁ PARA A MÍDIA PÚBLICA!!!

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